Uma gestão que investe em esportes colhe resultados na saúde, educação e segurança pública

A ausência de políticas públicas esportivas gera consequências que vão além da falta de lazer.


Quando se fala em investimento público, o esporte ainda é tratado, em muitos municípios, como sem importância e sem nenhuma prioridade, no entanto, essa visão deturpada de gestores sem compromisso precisa mudar. A atenção básica do poder público ao esporte é um dos caminhos mais eficientes para promover saúde, inclusão social, educação e qualidade de vida, e o mais importante é tirar adolescentes e jovens da vulnerabilidade exposta, e precisa de atenção em todas as comunidades, sejam elas rurais ou urbanas, levando em consideração que nos bairros mais pobres e nas comunidades rurais a atenção precisa ser ainda mais especial.


Investir no esporte não significa apenas construir quadras, espaços esportivos ou estádios, distribuir bolas e materiais esportivos em período eleitoral. É preciso ter projetos, garantir manutenção dos espaços esportivos, oferecer materiais adequados, apoiar competições, incentivar projetos sociais e criar oportunidades para crianças, adolescentes, adultos e idosos praticarem atividades físicas regularmente e a realização constante de competições envolvendo a comunidade.


A ausência de políticas públicas esportivas gera consequências que vão além da falta de lazer. Jovens ficam sem opções de convivência saudável, talentos deixam de ser descobertos e comunidades perdem um importante instrumento de integração social. O esporte ensina disciplina, respeito às regras, trabalho em equipe e perseverança, valores fundamentais para a formação dos cidadãos.

Um município que vira as costas para o esporte nega um direito primordial que a Constituição Federal estabelece:

“O esporte é direito de cada cidadão e impõe ao poder público o dever de fomentar sua prática, com prioridade para o esporte educacional. O município, como ente federativo, deve implementar políticas públicas esportivas dentro de suas competências e de acordo com sua legislação e orçamento”.


Isso pode ser uma fundamentação muito boa para defender a criação de uma Secretaria Municipal de Esportes, Fundo Municipal de Esporte, Conselho Municipal de Esporte, calendário esportivo municipal ou programas permanentes de iniciação esportiva, mas não é o bastante se houver criação desses órgãos sem investimentos necessários e apenas para criar novos cargos para beneficiar alguém.


A atenção básica ao esporte deve começar nas creches e escolas, com aulas de Educação Física valorizadas, e se estender aos bairros e comunidades rurais, onde muitas vezes faltam espaços adequados para a prática esportiva. Também é essencial apoiar modalidades além do futebol, como futsal, vôlei, atletismo, capoeira, ciclismo, artes marciais e esportes adaptados.


Outro ponto importante é a valorização dos profissionais de Educação Física, treinadores e voluntários de projetos esportivos como escolinhas, principalmente, que desempenham um papel fundamental no desenvolvimento esportivo das comunidades. Sem planejamento, recursos e apoio institucional, muitos projetos acabam interrompidos.


O investimento no esporte deve ser entendido como uma política pública permanente e não apenas como ações isoladas em períodos festivos ou eleitorais. Municípios que incentivam o esporte colhem resultados positivos na saúde pública, na redução da violência, no fortalecimento da educação e na formação de novos talentos que elevarão o nome do município e o mais importante serão talentos e profissionais no futuro.


O esporte é entendido e deve ser valorizado mais do que medalhas e troféus, pois é transformador de vidas, formador de opiniões, cabendo ao poder público reconhecer essa importância e colocar o esporte entre as prioridades da gestão, garantindo acesso democrático à prática esportiva para toda a população.

Por Fábio Cruz/ graduando em Bacharelado em Jornalismo e Licenciatura em Educação Física pela UNIFATECIE Centro Universitário.

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