
Ministério da Saúde também tem realizado campanhas de vacinação.
O surto de sarampo em países das Américas deixou o Brasil em alerta máximo. No ano passado, foram registrados no continente 14.891 casos, sendo 38 deles no Brasil. Esse número é quase 32 vezes maior que o registrado no ano anterior, que teve 446 casos. Os dados são da Opas, a Organização Pan-Americana da Saúde — escritório regional da Organização Mundial da Saúde.
Neste ano, somente até o dia 5 de março, já foram confirmadas mais de 7.145 ocorrências. No Brasil, o primeiro caso foi registrado no início deste mês, em uma bebê de 6 meses no estado de São Paulo. Ela contraiu a doença após uma viagem da família à Bolívia — país que enfrenta um surto de sarampo.
Casos importados
Por falar em turismo, a maior parte dos casos vem de fora — seja por brasileiros não vacinados que retornaram com a doença, seja por estrangeiros contaminados que vieram ao país. Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, os casos importados representam um obstáculo:
“O Brasil tem um desafio muito grande, que é o fato de nós sermos um país com muitas áreas turísticas que recebem estrangeiros, no nosso litoral, na nossa Amazônia, no nosso Pantanal. Nós recebemos estrangeiros do mundo inteiro, e tem uma ampla fronteira terrestre com várias cidades gêmeas, com circulação de muita gente.”
Por conta disso, o Ministério da Saúde também tem realizado campanhas de vacinação nas zonas de fronteira e reforçado a vigilância nos estados e municípios, principalmente os mais vulneráveis. O trabalho de investigação de novos casos vai desde a vacinação preventiva até a varredura de residências e laboratórios onde pode ter ocorrido a transmissão do sarampo.
O diretor Eder Gatti relembrou que 2026 é ano de Copa do Mundo nos Estados Unidos, no Canadá e no México — países que lideram o ranking de casos da doença:
“Isso também está deixando a gente bem alerta. Então, por isso que, por exemplo, a gente tem trabalhado com a Anvisa para deixar os recados nas aeronaves, nos aeroportos, até nos portos, por conta dos cruzeiros. Então, tem feito esse exercício de sempre estar falando de sarampo, para que seja um assunto sempre presente na vida das pessoas.”
Vacinação
A principal forma de prevenir contra o sarampo é a vacinação. Por se tratar de uma vacina diferente das demais, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, reforça a importância de ampliar a cobertura no país:
“São vacinas que a gente chama de esterilizantes. Elas evitam, inclusive, que a pessoa seja uma portadora e transmissora. Por isso que a imunização em altas taxas funciona como barreira na circulação do vírus.”
O calendário básico do SUS prevê a aplicação da vacina contra o sarampo em duas doses. A primeira deve ser tomada aos 12 meses de vida, como parte do imunizante tríplice viral; e a segunda, aos 15 meses, com a tetraviral. Em casos de surto, é concedida a chamada “dose zero”, que funciona como uma espécie de protetor temporário.
No ano passado, cerca de 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, mas apenas 77,9% completaram o esquema na idade correta. Todas as pessoas com até 59 anos que não tenham comprovante das duas doses devem se imunizar.
O Brasil retomou em 2024 o certificado de “área livre de sarampo”, por não ter transmissão sustentada em território nacional. Por enquanto, ainda não corremos risco de perder esse título, mas o estado de alerta permanece.
Agência Brasil
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