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Sexualidade ainda é um tabu entre muitos

A sexualidade não tem a ver só com os órgãos reprodutores, ela começa no cérebro!

Estamos em 2019 mas sexualidade é um super tabu. Um “tabuzão” daqueles de corar bochechas e atrair vários olhares de reprovação. Todo mundo tem vergonha de falar ou estar perto de quem fala sobre sexualidade de forma aberta. Como se isso fosse uma realidade muito distante de todos e um tremendo pecado. Sexualidade se trata de todo o nosso sistema reprodutor e de tudo o que aflora quando temos 12, 13, 14 anos. Se trata de quando é precoce também e aflora em crianças se trata de explicar o que é e porque é. Se trata de hormônios e de entender esses hormônios.

Se as pessoas falassem mais sobre sexualidade talvez não tivéssemos o desprazer de ter que ouvir sobre cura gay que vergonha ter que falar dessa coisa quando nem deveria existir né! Se falassem de sexualidade, sobre o básico, desde sempre mesmo, o que é o pênis e a vagina, o que é prazer, o que acontece com o corpo durante a puberdade. Aprender sexualidade é aprender sobre si. Aprender a ter segurança.

Quantos adolescentes não conhecem o básico sobre educação sexual e métodos preventivos?

Quantas crianças poderiam reconhecer que estão sofrendo abusos?

Em quanto seria reduzido o percentual de agressões e mortes por homofobia?

Falar sobre sexualidade é como falar daquela matéria que alguns gostam tanto e outros não suportam: tem que falar dela, alguns vão fazer faculdade sobre depois e outros nunca mais vão querer saber.

Quando não se fala sobre sexualidade, não se percebe a puberdade precoce por exemplo. Precisa ser tratada. Mas se o assunto é tratado com tabu como identificar? Se o assunto nem mesmo é tocado, como perceber que a criança passa por determinadas situações que são incomuns pra idade? E pior ainda, crianças terem medo de falar sobre isso quando tem a cabecinha cheia de dúvidas, podem inclusive sentir dores, ou desconfortos, mas por medo de ser errado, pecado ou afins, se calam e correm o risco de desenvolverem inclusive doenças que podem se estender e complicar muito a fase adulta.

Quando não se fala sobre sexualidade, crianças não sabem a diferença entre carinhos naturais, carinho de carinho mesmo. E abuso! É você explicando sobre sexualidade (repito, sexualidade, não sexo) para uma criança, pode ajudar que ela identifique primeiros sinais de abuso que podem evitar a terrível fatalidade que todos temos tanto medo: o estupro.

Quando se fala sobre sexualidade, as pessoas compreendem que isso é um despertar natural independente de orientação.  Orientação? E lá é orientação o nome da atração que se sente por pessoas do mesmo sexo? Sim, pasme! O preconceito diminui quando se fala sem tabu que existem gays, lésbicas, trans… E que isso não é motivo de zoação pois é amor do mesmo jeito.

Quando se fala sobre sexualidade, diminui-se a taxa de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis na adolescência. Pasmem novamente: ainda tem adolescente que engravida e adoece por falta de informação.

Sexualidade tem a ver com quem você é, com o seu corpo, com o despertar natural e as transformações que ele passa ao longo dos anos. Tem a ver com descobrir o que é agradável e o que não é. Tem a ver com descobrir o que te dá prazer.

E sentir prazer é natural e é bom, é muito bom.  A sexualidade não tem a ver só com os órgãos reprodutores, ela começa no cérebro! A menstruação começa no cérebro, enviar as ondas de prazer parte do cérebro, o tesão começa no cérebro (e ai falo rapidamente sobre o sexo em si, só pra avisar que é muito mais do que o tira e põe). Até a expectativa faz parte da sexualidade.

Não sejam levianos, não sejam medrosos, não compactuem ou compartilhem ideais de 3 milênios atrás. A ciência evoluiu e a informação também. Hoje em dia se sabe de um tudo sobre o corpo humano, de modo que se pode falar sobre ele em detalhes até com termos técnicos.

Precisamos parar de sabotar a humanidade, e parte disso é começar a quebrar tabus que nos dias de hoje nem deveriam mais existir.

Psicóloga em Formação

Ana Borges

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