Política

Otto confirma tentativa de Coronel de levar PSD à oposição

A declaração foi feita em entrevista, na qual Otto atribuiu a iniciativa ao senador Ângelo Coronel (PSD).

O senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia, afirmou que houve uma articulação interna para tentar retirar o partido da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e levá-lo para o campo da oposição, liderado pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). A declaração foi feita em entrevista ao site Política Livre, na qual Otto atribuiu a iniciativa ao senador Angelo Coronel (PSD).

Segundo Otto, o episódio foi comunicado diretamente pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. “A matéria retrata o que aconteceu. O presidente nacional [do PSD], Gilberto Kassab, me telefonou dizendo que houve uma tentativa, um pedido de mudança no grupo do PSD que apoia o governador, aqui na Bahia, para a oposição”, relatou.

A movimentação teria ocorrido após uma reunião entre Coronel e Kassab, realizada na última quarta (28), com o objetivo de discutir o cenário eleitoral de 2026. Coronel avalia que uma candidatura à reeleição ao Senado dentro da base governista, com o PSD aliado ao PT, seria inviável, diante da definição da cúpula petista por uma chapa “puro-sangue” no estado.

O encontro também contou com a presença do deputado federal Diego Coronel (PSD), filho do senador. Na conversa, os parlamentares baianos teriam argumentado que um eventual candidato à presidência nacional do PSD, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, aliado de ACM Neto, só teria palanque na Bahia se o partido estivesse na oposição ao PT.

Otto afirmou que Kassab rejeitou a proposta e reforçou sua confiança na condução do partido no estado: “Kassab me ligou e disse o que falou [a Coronel]. Disse que nunca vai deixar que Otto deixe de conduzir o partido na Bahia, que fui fundador do partido e que é muito correto comigo, e que daria um conselho [a Coronel]: converse com Otto para encontrarem uma saída”.

Questionado sobre sua reação à iniciativa do correligionário, o senador disse não ter ficado aborrecido, embora tenha se surpreendido. “De alguma forma fiquei surpreso, porque eu tenho feito tudo de forma transparente, essa situação que é complicada para mim, envolvendo amigos e correligionários políticos. Sigo trabalhando pela pacificação do nosso grupo”, afirmou.

Otto também reiterou que o comando nacional do PSD deu liberdade total para o partido manter o apoio ao presidente Lula (PT) na Bahia. “Temos três ministérios no governo: Agricultura [Carlos Fávaro], Minas e Energia [Alexandre Silveira] e Pesca [André de Paula]. Ano passado, em uma reunião em Brasília da qual participei, Kassab disse a Lula que o partido tinha total liberdade para apoiar a reeleição do presidente. É isso que vai ocorrer”, disse.

O senador descartou qualquer possibilidade de mudança de posicionamento do PSD baiano. “Não há a menor condição, a mínima condição, de levar o partido para o lado de ACM Neto. Eu já ouvi nossos deputados estaduais, federais e quase todos os prefeitos. Dos deputados, apenas os filhos de Coronel ainda não se posicionaram, mas os demais todos querem manter a aliança com o PT. Dos prefeitos, digamos que eles levem aí uns cinco. Portanto, essa não é uma decisão só minha, é partidária”, concluiu.

Tribuna da Bahia

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