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Milhares de pessoas vão as ruas de Salvador durante secular Lavagem do Bonfim

Há 275 anos, fiéis seguem tradição e saúdam o santo, Oxalá para quem é do candomblé, na maior festa religiosa da Bahia.

A forte devoção fez com que uma tradição secular se repetisse mais uma vez, em Salvador. Milhares de católicos, candomblecistas e turistas se uniram na manhã desta quinta-feira (16) para celebrar a maior festa religiosa da Bahia: a Lavagem do Bonfim. A multidão seguiu em cortejo do bairro do Comércio até a Cidade Baixa, a pé, em um percurso de de cerca de 8 km.

Antes mesmo do relógio marcar 7h, a quantidade de pessoas nas imediações da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, ponto inicial do cortejo, já dava indícios de que este era um dia especial.

“A fé move montanha. Eu vim pela fé. Com certeza, hoje é um dia muito especial para todos nós”, contou a estudante Letícia Helena.

Tradicionalmente, é da Igreja da padroeira da Bahia que a imagem do Senhor do Bonfim sai até chegar na Colina Sagrada, no bairro do Bonfim. Neste ano, o deslocamento foi iniciado às 7h.

A imagem do Senhor Bom Jesus do Bonfim, para os católicos, ou de Oxalá, para quem segue as religiões de matriz africana, foi levada em uma caravela, produzida pelo artista plástico Zaca Oliveira, com detalhes em azul, que simbolizava o mar.

Lavagem do Bonfim: Baianos e turistas homenageiam Santa Dulce dos Pobres no Largo de Roma

Tudo isso porque os festejos deste ano têm como tema “Senhor do Bonfim, 275 anos de devoção, veneração e proteção”, que remete ao Ano Jubilar, proclamado em abril de 2019, com o objetivo de comemorar a chegada da imagem do Senhor do Bonfim a Salvador, no dia 18 de abril de 1745.

“Essa caravela é alusiva aos 275 anos da chegada de Senhor do Bonfim em Salvador. A ideia, pela primeira vez, foi para lembrar que o senhor do Bonfim chegou aqui pelo mar, em uma caravela”, disse Padre João, ligado a igreja do Bonfim.

Por causa da caravela, a imagem precisou ser levada em cima de um carro. Quem dirigiu o veículo foi Luiz Araújo. Ele conta que esse momento vai ficar marcado.

“Todo ano eu estou aqui. Esse ano vai ser marcado porque eu estou levando a imagem. É a primeira vez que ela vem no carro. Eu confio muito no Senhor do Bonfim. Eu acredito muito nele”, disse.

Enquanto o cortejo tomava as ruas da Cidade Baixa, um culto inter-religioso era feito na porta da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia. A cerimônia contou com a participação do pastor Cícero Gonçalves Santos, com Ida Meireles, representante do Hinduísmo, com Marcel Candidé, representante da federação espírita, além de Tatá Anselmo, que representou a federação do culto afro-brasileiro.

“Estamos felizes com esse momento. Nós somos um cortejo. Através da nossa caminhada abençoando a Colina Sagrada. Nós somos únicos. É único Deus. Nós precisamos unir. Precisamos valorizar o que temos dos nossos ancestrais. Intolerância não nos leva a lugar nenhum”, chamou atenção Tata durante celebração.

Depois do término do ato, por volta das 9h, a multidão que ficou pela região do comércio se juntou a tantas outras pessoas para seguirem até a Colina Sagrada.

Pelo caminho, muita música, diversos grupos musicais e de roda de samba, além do gesto de carinho e os abraços de fé.

Por volta das 11h30, após andados os 8 km, os primeiros fiéis começaram a chegar à Colina Sagrada. Já a imagem de Nosso Senhor do Bonfim chegou no local por volta de 12h15.

Na sequência, Padre Edson, pároco da Basílica do Senhor do Bonfim, discursou e avançou os fiéis direto da janela central do templo religioso. Durante a fala dele, houve homenagem a Santa Dulce dos Pobres. Ele falou da trajetória da santa e o quanto ela é importante para Salvador.

Imagem de Santa Dulce dos Pobres foi colocada na fachada da Basílica do Bonfim durante celebração ao santo baiano — Foto: Itana Alencar/G1

Já no final do festejo, quando o relógio marcava 11h40 foi dado início a lavagem sincrética, que contou com católicos e o povo de santo, e que, diferentes dos outros anos, ocorreu nas escadarias da Basílica do Bonfim.

A baiana Maria Silva, que participa da lavagem há cerca de 20 anos, conta que o momento é emocionante. “Eu confio muito em senhor do Bonfim. Quando tô lavando a igreja Eu sinto uma sensação muito forte. Não dá pra explicar. É muita emoção”.

G1 Bahia/Foto: Phael Fernandes/ G1

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