Há 35 anos, ACM ganhou apelido de “Aguardente Com Metanol” por bebida adulterada


ACM talvez seja, depois de JK, a sigla mais conhecida da história da política brasileira.
ACM talvez seja, depois de JK, a sigla mais conhecida da história da política brasileira. Mas, em agosto de 1990, o célebre cacique da política baiana Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), o ACM, viria o significado de suas iniciais ser transformado em “Aguardente Com Metanol” por adversários políticos, a partir de uma tragédia pela adulteração de bebidas semelhante à que ocorre agora em São Paulo.
Na época, 18 pessoas morreram e 30 ficaram intoxicadas na cidade de Santo Amaro da Purificação por haverem consumido uma cachaça adulterada. Mesmo assim, o PMDB, rival de ACM na disputa, achou por bem explorar o assunto de forma zombeteira no horário eleitoral: lançou um vídeo com a sigla ACM aliada à pinga assassina. “Vem aí a cachaça que mata”, dizia a peça publicitária veiculada pela campanha do adversário Roberto Santos, mostrando uma garrafa com o rótulo onde aparecia a caricatura de ACM e as iniciais.
A resposta da campanha de ACM foi imediata. O programa do PFL acusou o PMDB de “pouco caso com a desgraça alheia” e mostrou lavradores pobres falando da tristeza pela morte de amigos e familiares, além de habitantes de Santo Amaro condenando a exploração eleitoral da tragédia pelos peemedebistas.
Embora os marqueteiros de Roberto Santos tenham defendido a estratégia e comemorado uma suposta subida de cinco pontos percentuais do seu candidato nas pesquisas após a questionável propaganda no horário gratuito, no final ACM acabou vencendo a eleição por 61,17% contra 32,1% de Roberto Santos. Apelar para a marvada pinga para atacar o “Malvadeza” não funcionou.
Outros dois casos de contaminação por metanol ocorreram na Bahia na década de 1990. Em 1997, 13 pessoas morreram em Serrinha, no sertão baiano, após consumirem a cachaça Pé no Pote. Mais de 1,3 mil litros da cachaça adulterada foram recolhidos em bares e outros 700 litros no depósito da fábrica clandestina.
Em 1999, estourou uma nova contaminação com metanol na bebida, provocando a morte de 35 pessoas em dez cidades do Sudoeste do Estado, entre elas Nova Canaã, Dário Meira, Ibicuí, Poções e Itiruçu. Um laudo divulgado pelo Departamento de Polícia Técnica de Salvador atestou que as amostras do aguardente, recolhidas nos municípios onde ocorreram as mortes, continham de 2,85% a 24,84% de metanol.
MSM
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