Essas são as imagens reais do 3I/ATLAS que levantaram a pergunta: isso é mesmo um cometa?

Telescópios como o Hubble e o James Webb registraram imagens reais do cometa interestelar 3I/ATLAS.

O cometa interestelar 3I/ATLAS deixou de ser só um ponto técnico em relatórios astronômicos e passou a ter rosto. A Nasa e grandes observatórios internacionais divulgaram imagens reais do 3I/ATLAS, feitas por telescópios como o Hubble, o James Webb e o Gemini, mostrando um visitante de fora do Sistema Solar que está sendo descrito como químicamente “fora da curva” e possivelmente mais antigo que o próprio Sol. 

As imagens revelam um corpo rodeado por uma nuvem brilhante de gás e poeira (a chamada coma) e, em registros mais recentes, um jato visível de material sendo expelido em direção ao Sol. Astrônomos explicam que esse jato — uma espécie de “sopro” de gás e partículas — pode se estender por milhares de quilômetros, algo que ajuda a estudar a atividade do cometa em tempo real. Em uma das composições divulgadas por equipes que acompanham o 3I/ATLAS, esse jato aparece como uma abertura em leque apontada para a região solar. 

Apesar do visual dramático, os pesquisadores afirmam que não há evidência de que o objeto represente ameaça à Terra. O monitoramento atual tem foco científico e de treinamento: a Nasa coordena uma campanha internacional para medir a trajetória do cometa com o máximo de precisão possível, o que faz parte dos protocolos de defesa planetária — procedimentos usados para rastrear corpos que passam pelo Sistema Solar em alta velocidade. 

As primeiras imagens de alta resolução do 3I/ATLAS foram feitas em julho de 2025 pelo Telescópio Espacial Hubble, quando o objeto estava a centenas de milhões de quilômetros da Terra. Nessas capturas, é possível ver o núcleo envolto por uma névoa luminosa e difusa. As estrelas de fundo aparecem “esticadas” porque o telescópio acompanha o cometa em movimento, e não o céu estático. Isso confirma que estamos olhando para o próprio objeto em deslocamento, não para uma ilustração artística. 

Depois, o Telescópio Espacial James Webb (JWST) foi usado para observar o cometa no infravermelho. As imagens do Webb não são só bonitas: elas revelaram algo que chocou a comunidade científica. A coma do 3I/ATLAS é dominada por dióxido de carbono (CO₂), com uma razão CO₂/água em torno de 8 para 1 — uma das mais altas já registradas em qualquer cometa. Em outras palavras, ele está liberando muito mais CO₂ do que água. Esse padrão químico é considerado inédito e pode indicar que o 3I/ATLAS se formou em condições muito diferentes das do nosso Sistema Solar, talvez perto da chamada “linha do gelo de CO₂” de outra estrela ou em uma região altamente irradiada. 

Observatórios em solo, como o Gemini, no Havaí, e telescópios ópticos nas Ilhas Canárias, também registraram o objeto. Nessas fotos, o cometa aparece como um núcleo claro cercado por um halo brilhante, com um feixe assimétrico que os astrônomos descrevem como um “jato ativo”. Esse jato seria composto de gás e poeira sendo expelidos à medida que o corpo aquece na aproximação ao Sol. Em análises preliminares, pesquisadores estimaram que o feixe pode se estender por milhares de quilômetros. 

Outro detalhe capturado nesses registros é a cor. Em algumas imagens de longa exposição, o 3I/ATLAS parece adquirir tons esverdeados. Astrônomos explicam que esse brilho pode estar ligado a moléculas liberadas quando o cometa começa a aquecer, como fragmentos à base de carbono e compostos que incluem cianogênio e outras espécies voláteis. Esse efeito já foi visto em outros cometas, mas no caso do 3I/ATLAS ele chamou atenção porque surgiu cedo, enquanto o objeto ainda estava longe do Sol. A análise dessa coloração ainda está em andamento. 

O 3I/ATLAS é classificado como um corpo interestelar. Isso significa que ele não nasceu no Sistema Solar: ele se formou em torno de outra estrela e entrou na nossa vizinhança em trajetória hiperbólica, ou seja, de passagem — ele não vai ficar aqui. Ele é apenas o terceiro objeto desse tipo já confirmado, depois de ‘Oumuamua (em 2017) e 2I/Borisov (em 2019). 

As estimativas atuais indicam que o 3I/ATLAS tem alguns quilômetros de diâmetro e pode ser, ao mesmo tempo, um dos maiores e possivelmente o mais antigo objeto interestelar já observado, com idade calculada em bilhões de anos — potencialmente mais velho que o próprio Sistema Solar, que tem cerca de 4,6 bilhões de anos. Para os pesquisadores, analisar esse material é como abrir uma cápsula do tempo de outro sistema planetário. 

Essa raridade explica por que as “imagens reais do 3I/ATLAS” ganharam status de documento científico e não apenas de curiosidade astronômica. Cada foto ajuda a responder três perguntas centrais para a Nasa e para outros grupos de pesquisa:

De onde ele veio?

A composição rica em CO₂ pode apontar para uma origem em regiões extremamente frias de outro sistema estelar ou em ambientes muito expostos à radiação, o que alteraria a superfície ao longo de bilhões de anos.

Como ele está se comportando agora?

O jato observado em direção ao Sol mostra que o cometa está ativo e soltando material conforme aquece. Essa atividade foi registrada em fotos diretas, inclusive por telescópios em solo, e ajuda a compreender como cometas interestelares perdem massa quando entram em contato com a nossa vizinhança.

Existe risco imediato?

Até o momento, a trajetória calculada não aponta risco de colisão com a Terra. A Nasa, porém, está usando o 3I/ATLAS como “caso real” para testar, junto a observatórios do mundo todo, procedimentos de rastreio rápido e refinamento orbital — passo considerado essencial em qualquer protocolo de defesa planetária.

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