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Conversas entre ex-ministro de Bolsonaro e Vorcaro eram sobre voto de Toffoli em causa bilionária no STF

Mensagens analisadas pela PF indicam que empresário relatou possível mudança de posição do magistrado em processo envolvendo indenização à Usina Alcídia.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal apontam que conversas do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria abordavam o posicionamento do ministro Dias Toffoli em um julgamento de impacto bilionário no Supremo Tribunal Federal. O material integra relatório encaminhado à Corte nesta semana no âmbito das apurações relacionadas ao Banco Master.

De acordo com os registros, o empresário Daniel Vorcaro informou a Fábio Faria que Toffoli poderia alterar o voto em uma ação indenizatória ligada ao tabelamento de preços do setor sucroalcooleiro nas décadas de 1980 e 1990. O processo dizia respeito à Usina Alcídia.

Em um dos diálogos, Faria questiona a origem da informação. Vorcaro responde que o dado teria sido repassado pelo advogado Carlos Vieira Filho, profissional que atua nesse tipo de demanda judicial.

A interlocução entre o ex-ministro e o empresário aparece diversas vezes no conteúdo extraído do celular do banqueiro. Segundo a investigação, ambos mantinham proximidade pessoal e relações comerciais, e Faria era visto como alguém com trânsito no meio político e no Judiciário.

Antes disso, Faria chegou a tentar promover uma reaproximação entre Vorcaro e Toffoli. O distanciamento ocorreu após a venda, em setembro de 2021, da participação do ministro no resort Tayayá, negócio feito por meio de um fundo de investimentos. A reunião articulada fora do STF, porém, não teria surtido efeito e ainda gerado desconforto no empresário após um comentário atribuído ao magistrado envolvendo outro banqueiro.

No desfecho do julgamento, Toffoli votou a favor da usina, acompanhando Edson Fachin e Kassio Nunes Marques. Ficaram vencidos Gilmar Mendes e André Mendonça. A decisão garantiu à empresa cerca de R$ 1,5 bilhão, considerando atualização pelo IPCA e juros anuais.

A suspeita em torno da posição do ministro tinha como pano de fundo um caso anterior, semelhante, no qual Toffoli votou contra a Raízen Energia, entendimento que acabou desfavorável ao controlador do grupo, André Esteves.

O tema também foi debatido em reunião recente entre ministros da Corte. Após o encontro, Toffoli deixou a relatoria do caso envolvendo o Banco Master. Ele foi instado a prestar esclarecimentos sobre as mensagens, que a Polícia Federal avalia sob a ótica de possível tráfico de influência.

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