Crise financeira leva Ufba a restringir uso de ar-condicionado e eventos; estudantes reagem: “Retrocesso”

Universidade adota restrições no uso de água, energia e telefonia para enfrentar crise orçamentária.
A Universidade Federal da Bahia (Ufba) anunciou uma série de medidas para contenção de despesas, que repercutiram negativamente entre alunos e professores. A decisão, formalizada por meio de portaria, inclui economia de água, restrição ao uso de ar-condicionado e suspensão de ligações telefônicas por celular.

As ações foram tomadas após a instituição enfrentar dificuldades financeiras decorrentes do repasse orçamentário previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025. De acordo com a Reitoria, o valor disponibilizado não acompanhou o crescimento dos gastos gerados pela expansão da universidade e pela gestão dos contratos.
Segundo documento divulgado no dia 14 de abril, a Ufba informou que havia recebido 4/12 do orçamento de custeio para despesas entre janeiro e abril. Posteriormente, a liberação passou para 5/18 do orçamento até maio, o que resultou em queda no percentual de recursos disponíveis, de 33,3% para 27,8%.
Reconhecendo os impactos sobre cerca de 61 mil pessoas, entre estudantes, servidores e trabalhadores terceirizados, a universidade estabeleceu 15 medidas de contenção. Entre elas, estão a suspensão de ligações de telefone fixo para móvel, restrição de chamadas interurbanas e internacionais, limitação do uso de ar-condicionado apenas em espaços sem ventilação natural e a suspensão de eventos a partir das 17h e aos finais de semana.
O funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado será permitido apenas das 8h às 16h em setores administrativos. A decisão impacta servidores e estudantes que frequentam os campi entre 7h e 22h, como ocorre nos campi de São Lázaro e Ondina, além dos trabalhadores em regime de plantão, como os seguranças.
A Ufba também suspendeu novos aditivos e acréscimos contratuais que impliquem aumento de custos em obras e serviços de engenharia. Com isso, a reforma da Faculdade de Odontologia para instalação do Laboratório de Prótese, cuja licitação foi lançada em 2017, deverá permanecer paralisada enquanto vigorarem as medidas de contenção.
Em nota enviada ao jornal Correio, o Ministério da Educação (MEC) afirmou que mantém diálogo constante com a Reitoria da Ufba e que trabalha para recompor o orçamento das universidades federais. O MEC ressaltou que suplementações orçamentárias foram realizadas em 2023 e 2024 para mitigar perdas acumuladas nos anos anteriores.
A pasta informou ainda que, durante a 179ª Reunião Extraordinária da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), foi reafirmado o compromisso de buscar a recomposição do orçamento das universidades para 2025.
A Associação dos Professores Universitários da Bahia (Apub Sindicato) manifestou preocupação com a situação orçamentária da Ufba. Raquel Nery, presidente da entidade, afirmou que reconhece a necessidade da Administração Central em alertar a comunidade acadêmica sobre a gravidade da crise financeira e defendeu o diálogo com a sociedade e o parlamento para garantir a recomposição dos recursos destinados ao ensino superior.
Procurada, a Ufba não respondeu aos questionamentos sobre a duração das medidas e possíveis alternativas para minimizar os impactos na rotina acadêmica. O Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da Ufba (Assufba) também foi contatado, mas não retornou.
Estudantes repudiam medidas de contenção
O Diretório Central de Estudantes (DCE/Ufba) divulgou nota repudiando as medidas. De acordo com o documento, a portaria “não resolve a crise” e penaliza a comunidade acadêmica, fragilizando o ensino público.
Para os estudantes, a crise orçamentária é resultado de anos de subfinanciamento das universidades federais e de cortes sistemáticos de verbas públicas. Segundo o DCE, as medidas adotadas pela administração da Ufba precarizam a infraestrutura, comprometem a permanência estudantil e restringem o acesso a atividades culturais e acadêmicas.
O DCE defende que a solução para a crise passa por uma reforma universitária democrática e pelo aumento dos investimentos públicos em educação. Para os estudantes, medidas de corte de gastos, como a limitação do uso de ar-condicionado e a suspensão de eventos, representam um “retrocesso” e não resolvem os problemas financeiros enfrentados pela instituição.
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