Amargosa está inserida em uma nova fronteira de pesquisa mineral na Bahia focada em terras raras

As terras raras compreendem um grupo de 17 elementos químicos (como neodímio, praseodímio e cério).
Amargosa está inserida em uma nova fronteira de pesquisa mineral na Bahia focada em terras raras. Embora depósitos ainda estejam sendo avaliados e quantificados, a região do Vale do Jiquiriçá entrou no radar internacional de mineração, impulsionada pelo interesse de empresas estrangeiras em minerais essenciais para tecnologia e transição energética.
A Corrida Mineral na Região
A busca por terras raras em Amargosa e municípios vizinhos envolve grandes companhias de exploração, notadamente empresas australianas.
- Projetos Ativos: A mineradora Brazilian Rare Earths (BRE) mantém projetos de pesquisa na região, focados em identificar e avaliar a mineralização de terras raras.
- Investimentos: O setor tem movimentado capital estrangeiro, com empresas destinando milhões de dólares em programas de perfuração para mapear o potencial econômico do minério no solo local.
- Potencial Logístico: A proximidade da região com centros industriais e portuários, como o Porto de Enseada e futuras refinarias planejadas para o Polo de Camaçari, torna o estado da Bahia um ponto estratégico para o escoamento desses minerais.
O que são Terras Raras?
As terras raras compreendem um grupo de 17 elementos químicos (como neodímio, praseodímio e cério).
- Eles são indispensáveis para a fabricação de equipamentos de alta tecnologia, incluindo carros elétricos, smartphones, turbinas eólicas e painéis solares.
- Geologicamente, o potencial baiano é impulsionado por depósitos do tipo argilas iônicas, que costumam facilitar a extração do minério.
Diante da presença de terras raras na Bahia, a CBPM tem atuado para mapear e identificar o potencial dessas ocorrências no estado, conforme o geólogo e gerente de Geologia Básica e Aplicada da entidade, Williame Cocentino. Segundo ele, existem, pelo menos, duas empresas australianas “reportando valores bem interessantes” na região entre Jequié, Amargosa e Poções. “Naquele contexto do Centro-Sul baiano, que tem grande potencial para vir a se tornar importantes minas de terras raras”.
Conforme Cocentino, embora existam “outros fatores” que serão avaliados, os valores que “estão sendo encontrados” na região, apontam para a possibilidade de tornar a Bahia “um novo player” em terras raras.
“Hoje, no Brasil, a gente tem só uma mina de terras raras ali em Goiás, tem diversas outras localidades que estão pleiteando a abertura de minas de terras raras. E aqui na Bahia, a gente entende que aquela região ali do Centro-Sul é um novo local para se descobrir essa próxima mina de terras raras aqui no Brasil”, disse.
Segundo o geólogo, por entender este cenário, a CBPM tem revisto dados históricos para reavaliar as regiões e observar os “potenciais para esses minerais que são relacionados à transição energética”. “Com base nisso, a gente começou a avaliar a região de Poções e vem encontrando bons resultados. Então sim, de fato, a Bahia tem todo esse potencial para se tornar um importante ator nessa cadeia de suprimentos das terras raras”, complementou.
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